Zanine Caldas

Biography

Zanine Caldas was born in Belmonte, Bahia, in 1919. Self-taught, he began his professional career with a workshop in Rio de Janeiro, which provided models for modern architects from the 1940s and 1950s. The study on plywood, the model-making skills, was decisive for the opening of the Móveis Artísticos Z (Artistic Furniture Z), in the interior of São Paulo, in 1949 which produced, on a semi-industrial scale, pieces for the middle class. Zanine lived in Brasilia, where he was a teacher and worked with popular housing in vernacular materials, and in Rio de Janeiro, which concentrates most of his architectural work, mainly houses in which he uses the reclaimed wood. He returned to Bahia in the 1970s, to the coastal village of Nova Viçosa, where he started to create furniture of organic traces. He made furniture and architecture projects until the early 1990s. He died in 2001, in Vitória, Espírito Santo.

Commentary

Environmental awareness was central to the most expressive phase of Zanine Caldas's furniture in the 1970s, when architect and self-taught designer returned to his homeland. On the southern coast of Bahia, the native forest witnessed deforestation (the Bahian territory concentrated a good portion of today's almost extinct Atlantic Forest, from which the coveted jacarandá, peroba and mahogany came from). Zanine only used wood surviving from the burnings, such as pequi and aquariquara. With the help of local canoeists, the logs were carved to create benches, tables and armchairs; organic and crude, they remind pieces by American George Nakashima, Swedish Axel Einar Hjorth or Frenchman Alexandre Noll. Zanine interfered minimally in the natural forms, leaving alive the memory of the destruction of the forest, reason that gave to the set the name "furniture-denunciation".

Zanine was a dynamic, hands-on man. Prior to his foray into design and furniture manufacture, he practiced landscaping, designed urban furniture and created a line of ceramic vases. With the Móveis Z, he proposes a method in keeping with the precariousness of Brazil's pre-1950s industry and technology. Production was based on the use of stockpiles made of plywood, and had simple mounting with fittings, screws and tacks. It innovated by offering contemporary design furniture at more affordable prices, sold in large magazines. An advertisement for Móveis Z said: "Modern comfort within reach of the majority". The models, in spite of their constructive simplicity and little noble materials, charmed with their shapes in amorphous forms, boomerang and scissor feet.

Zanine lived a period in France, where he taught at the University of Lyon. He was honored with an exhibition at the Museum of Decorative Arts in Paris in 1989, highlighting the furniture produced in the period in Nova Viçosa.

Zanine Caldas nasceu em Belmonte, Bahia, em 1919. Autodidata, iniciou sua trajetória profissional com uma oficina de maquetes no Rio de Janeiro, que fornecia modelos para arquitetos modernos dos anos 1940 e 50. O estudo sobre compensados de madeira, aprendido com as maquetes, foi determinante para a abertura da Fábrica Móveis Artísticos Z, no interior de São Paulo, em 1949. Produziu, em escala semi-industrial, peças para a classe média. Zanine ainda viveria em Brasília, onde foi professor e trabalhou com habitação popular em materiais vernaculares, e no Rio de Janeiro, que concentra a maior parte de sua obra arquitetônica, principalmente casas em que usa a madeira de demolição. Volta à Bahia nos anos 1970, à vila litorânea de Nova Viçosa, onde passa a criar móveis de traço orgânico. Faz projetos de mobiliário e arquitetura até o início dos anos 1990. Morre em 2001, em Vitória, Espírito Santo.

Comentário

A consciência ambiental foi central na fase mais expressiva do móvel de Zanine Caldas, nos anos 1970, quando arquiteto e designer autodidata retorna à sua terra natal. No litoral sul da Bahia, testemunha o desmatamento da floresta nativa (o território baiano concentrava boa parcela da hoje quase extinta Mata Atlântica, de onde saíram os cobiçados jacarandá, peroba e mogno). Zanine passa a usar exclusivamente madeiras sobreviventes das queimadas, como o pequi e aquariquara. Com a ajuda de canoeiros locais, as toras eram esculpidas para criar bancos, mesas e poltronas; orgânicas e brutas, remetem a peças do americano George Nakashima, do sueco Axel Einar Hjorth ou do francês Alexandre Noll. Zanine interferia minimamente nas formas naturais, deixando viva a memória da destruição da floresta, motivo que deu ao conjunto o nome "móveis-denúncia".

Zanine foi um homem dinâmico e mão-na-massa. Antes de sua incursão no desenho e fabricação de móveis, fez paisagismo, mobiliário urbano e criou uma linha de vasos de cerâmica. Com a Móveis Artísticos Z, propõe um método condizente com a precariedade da indústria e da tecnologia do Brasil pré-anos 1950. A produção baseava-se no uso de peças estocáveis feitas de compensado de madeira, e tinha montagem simples, com encaixes, parafusos e tachas. Inovou ao oferecer móveis de desenho contemporâneo a preços mais acessíveis, vendidos em grandes magazines. Um anúncio publicitário da Móveis Z dizia: "Conforto moderno ao alcance da maioria". Os modelos, apesar da simplicidade construtiva e materiais pouco nobres, encantavam com seus perfis em formas amorfas, pés de tesoura ou bumerangue.

Zanine viveu um período na França, onde ensinou na Universidade de Lyon. Foi homenageado com uma exposição no Museu de Artes Decorativas de Paris em 1989, com destaque para os móveis produzidos no período em Nova Viçosa.