Joaquim Tenreiro

Biography

Joaquim Tenreiro was born in the small village of Melo, Portugal, 1906. A third generation carpenter, since childhood he worked with wood. He settled in Rio de Janeiro at the age of 22 and studied drawing at the Liceu of Arts and Crafts. There he participated in the Bernardelli nucleus, composed of anti-academic painters. The need for a steady job leads him to work as a designer at Laubisch & Hirth, a company that manufactured European style furniture to suit the elite. In the 1940s, from a first order made by Oscar Niemeyer, Tenreiro began his path in modern furniture. He opens stores in Rio de Janeiro and São Paulo, where highly sought-after orders are dispatched. Administrative difficulties disconnected him from the design activity, for definitive, in 1968. That's when he returns to art, mainly wood and metal sculptures. He died in 1992, in Rio de Janeiro.

Commentary

Tenreiro was a master of drawing and technique. Remarkable feature of his furniture are the inventiveness with which he executed woodwork. Nowadays, it defies the resistance of the wood - especially that of the jacarandá, dense and malleable - and the beautiful diversity of Brazilian native species stands out. This is the case of furniture carved from blocks of blades in exotic colorations, as in the iconic Cadeira de Três Pés (Three Foot Chair). From the gesture of reduction of the raw material to the minimum necessary breaks the lightness that is synonymous of Tenreiro's design.

His authorial creations, beginning in the 1940s, create unprecedented counterpoint to the then-prevailing European imitations in the marketplace, which he found to be uncomfortable and unsuitable for the temperatures of the tropics. Tenreiro adjusts the proportions and rescues the functional simplicity of the colonial furniture - from which he borrows the use of the straw, technique of braiding thin strips of palm bark, brought from India by the Portuguese explorers.

Tenreiro kept his craft production and was demanding as to the perfection of the result. He made complete furnishings for residences in Rio de Janeiro and São Paulo - for which he designed unique pieces - and for public buildings in Brasilia, the capital built in the center of the country. Such projects testify to his sensitivity in creating the new modern space, of pure lines, generous plans and transparencies, as well as the ability to create chromatic combinations that he explored on rugs and painted glass table tops. Wood, metal and glass were all used in an experimental way, which Tenreiro will come back to in his sculpture in the 1970s and 80s. For having established a new language for furniture, definitively influencing the next generations, Tenreiro is considered the father of modern Brazilian furniture.

Joaquim Tenreiro nasceu na pequena aldeia de Melo, Portugal, em 1906. Filho e neto de carpinteiros, desde a infância exercita trabalhos artesanais em madeira. Estabelece-se no Rio de Janeiro aos 22 anos e estuda desenho no Liceu de Artes e Ofícios. Lá participa do núcleo Bernardelli, formado por pintores antiacadêmicos. A necessidade de um trabalho regular o leva a trabalhar como projetista na Laubisch & Hirth, empresa que fabrica móveis de estilos europeus ao gosto da elite. Nos anos 1940, a partir de uma primeira encomenda feita por Oscar Niemeyer, Tenreiro inicia sua trajetória no móvel moderno. Abre lojas no Rio de Janeiro e em São Paulo, de onde saem encomendas disputadas. Dificuldades administrativas desligam-o da atividade de designer, por definitivo, em 1968. É quando volta a dedicar-se à arte, principalmente às esculturas em madeira e metal. Morre em 1992, no Rio de Janeiro.

Comentário

Tenreiro foi um mestre do desenho e da técnica. Característica notável de seus móveis é a inventividade com que explora a marcenaria. Ora desafia a resistência da madeira - em especial à do jacarandá, densa e maleável -, ora ressalta a belíssima diversidade das espécies nativas brasileiras. Este é caso dos móveis esculpidos a partir de blocos de lâminas em exóticas colorações, como na icônica Cadeira de Três Pés. Do gesto de redução da matéria-prima ao mínimo necessário irrompe a leveza que é sinônimo de seu design.

Suas criações autorais, com início na década de 1940, criam inédito contraponto às imitações europeias então predominantes no mercado, que ele julgava desconfortáveis e inadequadas às temperaturas dos trópicos. Tenreiro ajusta as proporções e resgata a simplicidade funcional do móvel colonial - do qual empresta o uso da palhinha, técnica de trançar finas tiras de casca de palmeira, trazida da Índia pelos exploradores portugueses.

Tenreiro manteve sua produção artesanal e era exigente quanto à perfeição do resultado. Fez mobílias completas para residências do Rio de Janeiro e de São Paulo - para os quais desenhou peças únicas -, e para prédios públicos de Brasília, a capital erguida no centro do país. Tais projetos testemunham sua sensibilidade na criação do novo espaço moderno, de linhas puras, planos generosos e transparências, além da habilidade em criar combinações cromáticas, que ele explorava em tapetes e tampos de mesa de vidro pintado. Madeira, metal e vidro foram utilizados com experimentalismo, que Tenreiro irá aprofundar nas esculturas das décadas de 1970 e 80. Por inaugurar uma nova linguagem para o móvel, influenciando definitivamente as próximas gerações, Tenreiro é considerado o pai do móvel moderno brasileiro.