Geraldo de Barros

Biography

Geraldo de Barros, one of the main exponents of concrete art in Brazil, was born in Chavantes, São Paulo, 1923. In 1947, he joined Foto Cine Clube Bandeirantes, the pioneer nucleus of Brazilian modern photography. Three years later, working under the influence of the Gestalt theory, his seminal solo show Fotoformas, is held at the São Paulo Museum of Art (Masp). In a season of studies in Europe, he comes across the Hfg - Hochschule für Gestaltung [Superior School of Form] in Ulm, Germany, then directed by Max Bill, one of the leading theorists of concrete art. Back in São Paulo, he participated in the foundation of Grupo Ruptura, which marks the beginning of concretism in Brazil. The HfG and its Gute Form [good form] is also the engine for adhering Barros to the furniture factory Unilabor in 1954, where he worked as a designer. In the 1960s and 70s, with the company Hobjeto, he expands the possibilities of serialization. Inside the factory he makes a series of artworks in Formica in which he takes up the concepts of concretism. He was also a graphic designer and part of a group of pop artists, Rex. Barros died in 1998, in São Paulo.

Commentary

In the artistic conception of Geraldo de Barros, industry and technology make it possible to reach a wider audience. In the formation of a utopian workers community idealized by a dominican priest, he saw the possibility to work as an industrial designer. He suggested the production of furniture and thus Unilabor was established in 1954. It was a pioneering initiative in its management model, with profit sharing between participants and decisions taken together. Barros created designs based on the rationalized production process. In 1959, a catalog synthesized what became known as the UL Standard: Unilabor then offered 77 pieces of furniture made from a combination of components that fit together by fixed measures. The most iconic system, the MF 710 shelf, has a metal frame and plywood modules, coated with white Formica and jacarandá veneer.

In 1964, the year in which he left Unilabor, Geraldo de Barros founded Hobjeto ("objects of today"). The new company deepens the normatization of pieces and embraces pop, introducing the use of shiny lacquer, metal tubes and a patented hollow head bolt, which becomes a trademark. Hobjeto had 700 employees, and launched the idea of industrialized tailor made. The purchase occurred in a playful way: customers arrived at the store and had their room layout designed on square paper. Then, playing with miniatures of the furniture of the catalog, decided for the best configuration. Barros led the company until 1979.

Geraldo de Barros, um dos principais expoentes da arte concreta no Brasil, nasceu em 1923, em Chavantes, São Paulo. Em 1947, ingressou no Foto Cine Clube Bandeirantes, pioneiro núcleo da fotografia moderna brasileira. Três anos depois, realiza no Museu de Arte de São Paulo (Masp) a seminal exposição Fotoformas, sob influência da teoria Gestalt. Em uma temporada de estudos na Europa, conhece a Hfg - Hochschule für Gestaltung [Escola Superior da Forma], em Ulm, Alemanha, então dirigida por Max Bill, um dos principais teóricos da arte concreta. De volta a São Paulo, participa da fundação do Grupo Ruptura, que marca o início do concretismo no Brasil. A HfG e sua Gute Form [boa forma] também é motor para aderência de Barros à fábrica de móveis Unilabor, em 1954, onde ele atua como designer. Nos anos 1960 e 70, com a empresa Hobjeto, aprofunda a experiência de seriação. Dentro da fábrica faz uma série de obras em fórmica na qual retoma os conceitos do concretismo. Ele ainda atuou como designer gráfico e ligou-se a um grupo de artistas pop, o Rex. Morre em 1998, em São Paulo.

Comentário

Na concepção artística de Geraldo de Barros, indústria e tecnologia possibilitam atingir um público mais amplo. Barros viu a possibilidade de atuar com o desenho industrial na formação de uma utópica comunidade operária idealizada por um padre dominicano. Sugeriu a produção de móveis e assim surgiu a Unilabor, em 1954. Foi uma iniciativa pioneira em seu modelo de gestão, com divisão de lucros entre os participantes e decisões tomadas em conjunto. Barros criou desenhos com base no processo produtivo racionalizado. Em 1959, um catálogo sintetizava o que ficou conhecido como Padrão UL: a Unilabor oferecia então 77 peças de mobília feitas a partir da combinação de um conjunto de componentes que se encaixavam reciprocamente, por medidas fixas. O sistema mais icônico, a estante MF 710, tem estrutura metálica e módulos de compensado de madeira, revestidos de fórmica branca e folhas de jacarandá.

Em 1964, ano em que se desliga da Unilabor, Geraldo de Barros funda a Hobjeto ("objetos de hoje"). Aprofunda a normatização de peças e abraça uma influência mais pop. Introduz o uso da laca brilhante, de tubos metálicos e de um parafuso de cabeça oca, patenteado, que se torna símbolo da marca. A Hobjeto chegou a ter 700 funcionários, e inaugurou a ideia de planejados sob medida. A compra era feita de uma maneira divertida: o cliente chegava à loja e tinha seu cômodo desenhado em planta baixa em um papel quadriculado. Depois, brincando com miniaturas dos móveis do catálogo, decidia pela melhor configuração. Barros comandou a empresa até 1979.