Native Brazilian Wood

Modern Brazilian furniture was developed essentially by an artisanal production where wood was used as the main ingredient. The encounter of small-scale production with noble native woods defines the main reason for the current rediscovering and appreciation of design from that time period – and is what most distinguishes Brazilian design from other modern international expressions.

The endemic species provided great pleasure for the creativity of designers. The pioneer of modernist furniture in Brazil, Joaquim Tenreiro, honored the color palette and texture of the wood at his disposal in his sculptural “Três Pés” chair, also created in different versions with two, three and five types of wood. He utilized species that are now rare such as Jacarandá, Pau-Marfim, Amendoim, Imbuia and Mogno that all stemmed from the Atlantic Forest. The coastal forest is one of the biomes with the greatest biodiversity in the world – studies reveal the presence of more than 400 species of trees in just one hectare. Until the arrival of the first Portuguese caravels in Santa Cruz de Cabrália in Bahia, the forest ran continuously along the Atlantic coast from the north to the south of the country. The forest was home to the first richness explored by the colonizers – the Pau-Brasil tree that gave the country its name –, and therefore initiated an intense cycle of exploitation that over the course of centuries reduced the forest by 12%.

Jacarandá is not the only species used in modernist furniture that has become rare. With it are Imbuia, Mogno, Peroba, Cabreúva and Gonçalo-Alves all nicknamed as “madeiras de lei” because they were monopolized and extracted only by the Crown until the independence of the country. They are dark, slow-growing woods (Jacarandá, Tenreiro once said, takes 200 years to reach maturity and so it was not in the interest of anyone to plant it). The predilection of these species for the manufacture of furniture resides in its hardness and stability in the acceptance of forms, its resistance to termites and fungi, as well as the luminous finish that is reached with a simple sandpaper.

In the family of scientific name dalbergia, the most appreciated is dalbergia nigra, widely known as Jacarandá-da-Bahia. Its dark coloration and accentuated veins captured the attention of other midcentury designers such as Finn Juhl and Hans Wegner. A report published in 1964 by the New York Times argued that Rosewood provided the necessary ornamentation for Scandinavian design; "All Rosewood has a big, open, prominent grain that makes it appear to have been created especially for the simple lines of modern design", it said. The cutting down of Jacarandá is now strictly prohibited, and the species is listed in the Appendix II of the CITES (Conventions on International Trade in Endangered Species of Wild Fauna and Flora), which determines the need for an export license or re-export certificate.

Native Brazilian woods were peculiarly explored by designers. The artisan inventiveness of Tenreiro, who carved blocks of glued boards; the generous turns of Sergio Rodrigues; the curved sheets of Jorge Zalszupin or the simple blade used in the geometric furniture of Geraldo de Barros are some examples.

Some species

Wood from the Atlantic Forest was the most valued in modern furniture – the Amazonian wood and other regions of the country were to be explored a little later, starting in the 1970s, due to the deforestation of the coastal forests. The aforementioned diversity generates many doubts in identifying the wood employed in each piece of furniture; they can be easily mistaken depending on the finish used by the cabinetmaker. To complicate matters, each species has at least five popular names (!). Technical characteristics such as density, color, smell, porosity, veins and fiber size are determinant for its recognition.

Jacarandá (Dalbergia; rosewood): hard and malleable, with a compact surface, naturally lustrous and has well-designed veins. The most appreciated is the dalbergia nigra, with its dark chocolate hue, but there are other stains that tend to yellowish or reddish. The scent of roses gives it the nickname "rosewood". It was the most used in modern Brazilian furniture.

Caviúna (Machaerium scleroxylon): has a reddish brown core, which darkens over time, and well-marked veins. Moderately heavy wood, with fine texture and a pleasant smell. After Jacarandá, it was the favorite of modern designers.

Cabreúva (Myroxylon balsamum): its core is lightly scratched and reddish brown. Exudes a soft, balsamic scent. Its high density and medium texture render to its glossy surface.

Pau-marfim (Balfourodendron riedelianum): it is one of the few light-colored woods that are native to Brazil. Its tone is yellowish with golden reflections with fine grain. Dense and malleable, it was one of Joaquim Tenreiro's favorites.

Mogno (Swietenia macrophylla; mahogany): has a light brownish-reddish hue and a pronounced shine. Of average texture, soft to the cut, it was of great appeal to the carpenters and the most used in the 70s and 80s, when the use of Jacarandá-da-bahia was no longer allowed.

Imbuia (Ocotea porosa; Brazilian walnut): its core varies in several tones, from honey to brownish. The veins are dark. It has medium porosity and a characteristic and pleasant smell. Because of its softness, it is one of the easiest brown woods to work with.

Roxinho (Peltogyne spp.): Is considered exotic because of its purple coloration. It has fine texture and is heavy, hard and good for turning. There are more than 20 species originating in the entire South American territory.

Madeiras Nativas Brasileiras

O mobiliário moderno do Brasil se desenvolveu, essencialmente, por uma produção artesanal na qual a madeira é protagonista. O encontro da produção de pequena escala com madeiras nobres nativas configura o principal motivo da atual redescoberta e apreciação do móvel do período – e é o que mais singulariza o design brasileiro em relação a outras expressões internacionais modernas.

As espécies endêmicas representaram verdadeiro deleite à criatividade de designers. Joaquim Tenreiro, pioneiro da mobília moderna no país, homenageou a paleta de cores e texturas à sua disposição na escultural cadeira de Três Pés, que tem versões com dois, três e cinco tipos de madeiras. Utilizou espécies hoje raras, como jacarandá, pau-marfim, amendoim, imbuia e mogno, provenientes da Mata Atlântica. A floresta costeira é um dos biomas de maior biodiversidade do mundo – estudos apontam a presença de mais de 400 espécies de árvores em apenas um hectare. Até a chegada das primeiras caravelas portuguesas, em Santa Cruz de Cabrália, na Bahia, a floresta era uma faixa contínua de sudeste a nordeste do país. Dela saiu a primeira riqueza explorada pelos colonizadores – o pau-Brasil que dá nome ao país –, iniciando um ciclo intenso de exploração que em, em cinco séculos, reduziu a floresta a 12% do original.

O jacarandá não é a única espécie utilizada em móveis modernos que se tornou vulnerável. Com ele estão imbuia, mogno, peroba, cabreúva, gonçalo-alves, todas apelidadas “madeiras de lei”, pois coincidem com as espécies cuja extração foi monopolizada pela Coroa até a independência do país. São madeiras escuras e de crescimento lento (o jacarandá, Tenreiro disse certa vez, leva 200 anos para atingir sua maturidade e por isso não interessava a ninguém plantá-lo). A predileção dessas espécies para a fabricação de móveis reside em sua dureza e estabilidade na aceitação de formas, sua resistência a cupins e fungos, bem como o acabamento lustroso que alcançam com a simples lixa.

Na família de nome científico dalbergia, a mais apreciada é a dalbergia nigra, popularmente conhecida como jacarandá-da-bahia. Sua coloração escura e veios bem desenhados conquistaram outros designers do período, como Finn Juhl e Hans Wegner. Uma reportagem publicada em 1964 pelo jornal New York Times argumentou que a madeira fornecia a ornamentação necessárias ao design escandinavo; “O jacarandá tem veios proeminentes que parecem ter sido criados especialmente para as linhas simples do design moderno”. O corte do jacarandá é hoje estritamente proibido, e a espécie consta na lista Apêndice II do CITES (Conventions on International Trade in Endangered Species of Wild Fauna and Flora), que determina a necessidade de licença para exportação ou certificado de reexportação.

As madeiras nativas brasileiras foram exploradas de modo peculiar pelos designers. A inventividade artesanal de Tenreiro, que esculpiu blocos de tábuas coladas; os torneados generosos de Sergio Rodrigues; as folhas curvadas de Jorge Zalszupin ou a simples lâmina utilizada no móvel geométrico de Geraldo de Barros são alguns exemplos.

Algumas espécies

As madeiras provenientes da Mata Atlântica foram as mais valorizadas pelo móvel moderno – as amazônicas e de outras regiões do país viriam a ser exploradas um pouco depois, a partir dos anos 1970, em decorrência do desmatamento das florestas costeiras. A já citada diversidade gera muitas dúvidas na identificação da madeira empregada em cada móvel; dependendo do acabamento utilizado pelo marceneiro, são facilmente confundidas. Para complicar, cada espécie possui ao menos cinco nomes populares (!). Características técnicas como densidade, coloração, cheiro, porosidade, veios e tamanho da fibra são determinantes para seu reconhecimento.

Jacarandá (Dalbergia; rosewood): dura e maleável, de superfície compacta, é naturalmente lustrosa e tem veios bem desenhados. A mais apreciada é a dalbergia nigra, com seu tom chocolate-escuro, mas há outras colorações que tendem ao amarelado ou avermelhado. O cheiro de rosas lhe dá o apelido “rosewood”. Foi a mais utilizada no mobiliário brasileiro moderno.

Caviúna (Machaerium scleroxylon): tem cerne castanho-vermelho, que escurece ao longo do tempo, e veios bem destacados. Madeira moderadamente pesada, de textura fina e com cheiro agradável. Depois do jacarandá, foi a predileta dos designers modernos.

Cabreúva (Myroxylon balsamum): seu cerne é levemente riscado e castanho-avermelhado. Exala um cheiro suave, balsâmico. A densidade alta e textura média rendem superfície lustrosa.

Pau-marfim (Balfourodendron riedelianum): é das poucas madeiras de coloração clara nativas do território brasileiro. Seu tom é amarelado com reflexos dourados, o grão é fino. Densa e maleável, foi uma das preferidas de Joaquim Tenreiro.

Mogno (Swietenia macrophylla; mahogany): tem cerne castanho-claro-avermelhado e brilho acentuado. De textura média, macia ao corte, foi deleite de marceneiros e das mais utilizadas nos anos 1970 e 80, quando se esgota o ciclo do jacarandá-da-bahia.

Imbuia (Ocotea porosa; Brazilian walnut): seu cerne varia em diversos tons, do mel ao acastanhado. Os veios são escuros. Tem porosidade média, cheiro característico e agradável. Macia, é das poucas madeiras castanhas mais fácil de ser trabalhada.

Roxinho (Peltogyne spp.): é considerada exótica pela coloração roxa que lhe dá nome. Pesada, dura e boa para tornear, tem textura fina. São mais de 20 espécies originárias de todo o território sul-americano.